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Letras com Aromas

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Letras com Aromas

A papa doce acabou-se...

20:11 | Publish by Unknown

Iniciei este blog em Fevereiro de 2014 quando a minha vida deu uma volta inesperada. Acabada de ficar sem emprego, parecia que não tinha nada para fazer.
Naquela altura o desespero tinha dado largas à imaginação: o que é que vou fazer? O que é que vai ser da minha vida? Vou dar em doida sem nada para fazer?.... Como estava enganada...!
Esta coisa de dizermos que quando estamos em casa não temos nada para fazer, não é bem assim. Passamos a fazer mais pelos outros do que por nós; passamos a ter tempo para coisas que não imaginávamos que conseguíamos (tipo ir para a cozinha como eu!); começamos dar conta que o mundo à nossa volta afinal também gira, também tem vida... E como eu me apercebi disso.
O meu mundo era trabalho, escola, casa e casa escola, trabalho... Mas afinal quando parei, descobri um mundo novo: o mundo da cozinha e da escrita! E que mundo...
O blog que lêem não correu mundo e não se tornou famoso, mas deu-me alento e deu alento a outros que o lêem. Eu exorcizei demónios e limpei a minha alma, outros riram e experimentaram coisas novas. Mas como tudo tem um fim, os meus dias de experiências também vão acabar! Bom acabar não, mas diminuir ainda mais a assiduidade. Vou começar a trabalhar outra vez!
Ah e tal parabéns, ah e tal vai correr bem... Pois! Até pode ser e acho que sim... vai correr bem... tem tudo para correr bem... Saio da minha zona de conforto: Lisboa e vou "passear" todos até à margem sul: Setúbal e Montijo...
Vantagens: choco frito e peixe fresco.
Desvantagens: Não conheço nada! Rigorosamente e literalmente nada!
Logo vos contarei como tudo vai correr, até pode ser que a próxima receita seja o famoso choco frito! Cá em casa sei quem vai adorar...
Meus queridos o texto já vai longo, mas não queria deixar de partilhar convosco esta notícia deliciosa...

Até uma próxima oportunidade e deliciem-se...

Etiquetas: Fait divers 5 comentários

Molhanga deliciosa

13:29 | Publish by Unknown

Nestes últimos dias tenho ouvido alguns de vós queixarem-se que não tenho aparecido no blog nem escrito nada de novo... É verdade! Confesso que não tenho andado com grande vontade de escrever, de falar... basicamente de partilhar! Não tenho tido vontade de nada. Porquê? Porque sim. O raio do sol e do calor nunca mais decidem mostrar-se! Quando fomos à Islândia garanto-vos que o frio se aguentava melhor. Devia ser por ser num sítio diferente, dizem vocês. Não! Aguentava-se mesmo melhor... Ok, está bem. Quando vinha o vento, aí era insuportável.

No entanto, como fiz uma receita nova (para mim, para alguns de vós já deve ser conhecida) queria deixar-vos a mesma para que a possam experimentar.

Começo por vos pedir desculpa por não haver foto, mas nem restos sobraram. Foi tudo! Só por isso podem imaginar o quão bom estava. Claro que podem sempre alterar alguns dos ingredientes se não quiserem um molho tão calórico, mas como ando (devido ao frio) numa senda de comida de conforto fi-la com tudo a que tínhamos direito... A bela da "molhanga" estava gostosamente deliciosa.

Como sempre não é difícil de fazer, mas leva algum tempo. Já vão perceber o porquê da demora, relativa demora...

Ingredientes

800 gr de lombinho de porco
2 colheres de mostarda com grão
200 ml de natas (podem substituir por light)
1 café expresso forte
3 alhos esmagados
Azeite q.b.
Leite magro q.b.
sal e pimenta q.b.

Preparação

Pré aqueçam o forno a 150º.
Comecem por limpar bem o lombo das gordurinhas que o acompanham. Temperem-no com os alhos esmagados e esfreguem-no bem com sal e pimenta.
Num tabuleiro de ir ao forno ou num pirex (o que tiverem mais à mão) coloquem um pouco de azeite e espalhem-no bem. De seguida, coloquem o lombo no tabuleiro e reservem.
Numa taça coloquem o café, as natas e a mostarda. Misturem bem e se ficar muito espesso vão deitando leite até ficar mais liquido, mas não muito. Como se fosse um creme. Vertam-no por cima do lombo e levem ao forno.
No final de uma hora, retirem o lombo para um prato e mexam bem o molho (sei que vai parecer talhado, mas não está). No caso de estar mais espesso, voltem a deitar mais leite. Coloquem novamente o lombo no tabuleiro, mas agora virado para o lado contrário ao que estava.
Marquem mais uma hora no vosso cronómetro e vão tratando do acompanhamento (eu fiz com arroz basmatti).

Como viram não é difícil e a demora é relativa, se o fizerem num fim de semana. Num dia de semana depois do trabalho percebam que possa demorar um pouco, mas tudo se faz.

Hoje é sexta-feira... hoje dá tempo... hoje experimentem!

Já agora: deliciem-se!

Etiquetas: Prato principal 3 comentários

Bolas... Tenho um dilema!

15:16 | Publish by Unknown

Hoje tenho um dilema. Tenho a certeza que não é só isso que tenho, pois estou de choco em casa (obrigada filho pelos beijinhos e abraços enquanto estiveste doente). Mas o meu dilema prende-se com comida (algo novo para variar). Com uma comida específica: a de hospital.

Ajudem lá a vossa amiga: quando uma pessoa é internada num hospital por estar doente, deve esperar que a tratem com a melhor qualidade de serviço. Não só médico como auxiliar. Verdade? Ou sou só eu que estou a delirar?

Eu explico: tenho uma grande amiga minha de escola que está internada num dos nossos hospitais privados de Lisboa, com uma doença algo manhosa e que não previsão de saída. Assim, como seria de esperar num hospital privado trouxeram-lhe a ementa para que pudesse escolher desde o pequeno-almoço à ceia do dia seguinte. Boa! - pensei eu - Serviço de primeira! Esta era realmente a minha ideia até ter posto os olhos, porque não me atrevi sequer a experimentar, em cima do almoço da rapariga. Bolas... bife de frango com molho de pimenta deslavado, acompanhado por um arroz de cogumelos (destes só restava a cor) e feijão verde, com pelo menos mais 20 minutos de cozedura do que devia. Salada de alface e tomate foi o prato perfeito da ementa. Sobremesa: maçã assada (esta não era difícil de estragar... achava eu: deixaram os caroços no meio, para quem gosta de cuspir para o chão durante a refeição: estava perfeita).... A sério?!

Este é o meu dilema: porquê? Porque é que os doentes têm de sofrer mais para além das maleitas que os levam a estas instituições? Porque é que a comida tem de ter um aspecto deslavado e desenxabido? Mesmo sem  grandes temperos, pois o sal faz mal e o açúcar também não ajuda, não poderão cozinhar de forma a que a estadia hospitalar corra da melhor maneira possível?

Porém não correu tudo mal. Eis senão quando aparece novamente a auxiliar de cozinha com a ementa para o dia seguinte: desta vez ajudei-a a escolher. Pequeno-almoço - leite morno com um café expresso à parte e um pão de mistura com marmelada e queijo; almoço - empadão de vitela (a moça e o peixe não se dão muito bem) e salada (ao menos esta vem de certeza em condições); lanche - já não me lembro mas envolvia croissants; jantar - dos dois pratos nada agradava, assim perguntei: não se arranja um hambúrguer grelhado com arroz branco? Claro que sim - respondeu a senhora. Esta decidido: hambúrguer seria. Então e para a ceia - indagou a senhora - Chá e torradas - respondeu a minha amiga. Ela ria-se com as minhas escolhas e perguntas, mas conseguiu, pelo menos, ter uma refeição completa para hoje. Vejamos se estará tudo bem confeccionado.

Ontem à noite enviou-me uma mensagem com a foto do jantar. Tinha melhor aspecto. Entrecosto grelhado com brócolos (que estavam verdes e não castanhos como o feijão verde) Roí os ossos e lambi os dedos - escreveu ela. Ainda bem - respondi eu com um sorriso só de pensar que pelo menos a noite seria de barriga cheia.

Tirem-me deste dilema e deixem-na melhorar em melhores paladares.

Hoje despeço-me de forma diferente e específica: delicia-te e melhora depressa, amiga...

Etiquetas: Fait divers 2 comentários

Há sempre uma primeira vez...

20:09 | Publish by Unknown

Há sempre uma primeira vez... cada dia que passa acredito mais nesta máxima. Claro que também acredito noutras, que um dia entrarei em mais pormenor, mas hoje quero falar-vos desta ideia. Na nossa vida desde que nascemos há sempre uma primeira vez... começamos a andar, começamos a falar (e muitas vezes nunca mais nos calamos), começamos a comer a primeiras comidas sólidas (e grande maioria das vezes nem sequer gostamos... e depois crescemos. O primeiro beijo, o primeiro passeio de mãos dadas, a primeira ida a um restaurante gourmet... Ok! Já percebemos. E isto leva-nos onde? Fácil, meus caros súbditos. À minha primeira vez a cozinhar o meu arqui-rival: PEIXE.

Peixe ao Sal
Vais-nos dizer que nunca cozinhaste peixe? Já vos referi algumas vezes que bacalhau, embora peixe, para mim não o é. Sim. Está bem. Sou estranha. Mas para mim bacalhau não é peixe e peixe congelado não é difícil: descongela-se juntam-se uns quantos ingredientes, vai ao forno e já está. Agora aquele animal aquático e de guelras que se encontra nas bancas das peixarias nunca o tinha feito. Até ontem. E como há sempre uma primeira vez, fui para aquele que aparentemente seria o menos difícil: Peixe ao Sal.

A sério?! Tu meteste-te nisso? Quem foram as cobaias? Por acaso têm razão havia cobaias e há conta disso estava para lá de nervosa. Acho que nunca me tinha sentido assim. Mas como o meu homem costuma dizer: a primeira corre sempre bem, já a segunda tem dias.

As minhas cobaias desta vez foram dois amigos de coração, que há muito estavam para cá vir a casa jantar e desta vez é que foi. Escolhi uma ementa especial, onde tudo o que foi apresentado, elaborado e comido foi a primeira vez que fiz.

Estava difícil de conseguir achar um menu delicioso e ao mesmo tempo visualmente interessante...

 Ao falar com uma amiga sobre saladas com laranja e agriões, lembrei-me que seria engraçado um Carpaccio de Laranja... E não é que arranjei a receita e ficou delicioso?! Vocês já sabem que não gosto muito de doces, mas este estava divino. Aromatizado com anis e hortelã... Humm! Receita? Já lá vou. A sobremesa já estava, só faltava o resto. De quem é que me lembrei: da minha alentejana. Deu-me uma sugestão que ela própria faz muitas vezes e aceitei o desafio: Patê de Linguiça em pão casqueiro. Querem saber uma coisa? É delicioso... Já sei! Querem a receita... calma...

O prato principal estava indecisa entre a pá de porco no forno (4 horas a assar a 120º... nem vos conto... divinal) ou peixe. O meu dilema habitual. Pela primeira vez decidi-me pelo peixe. Vamos arriscar e em boa hora optei por este animal. Ficou muito agradável e não foi tão difícil como pensei, excepto partir o sal... Esse foi mesmo o maior desafio. Mas consegui e como já vos disse se eu consigo, vocês conseguem.

Pronto não chorem nem supliquem mais, cá vão as receitas...


Peixe ao Sal


1 Robalo ou uma dourada, com cerca de 800g
2 ou 3 pacotes de sal grosso

Ramos de ervas aromáticas variadas (manjericão, salsa, salva, tomilho, rosmaninho) 


O peixe não precisa de grandes cuidados. Coloquem-no já amanhado sobre um prato limpo, e encham a barriga com os ramos de ervas aromáticas variadas até a tapar completamente. Dessa maneira o sal, não entra no peixe, e as ervas vão-lhe dar um sabor especial.

Escolham uma travessa grande que possa ir ao forno, e onde caiba o peixe que compraram.Coloquem um pacote de sal a cobrir toda a base da travessa. Se necessitarem coloquem mais sal, pois não há problemas de excesso, ou qualquer risco do peixe ficar salgado.

Coloquem o peixe ao centro da travessa, por cima do sal. De seguida, peguem noutro pacote de sal e vertam-no sobre o peixe, tapando-o completamente. É conveniente que fique uma película de 1 centímetro de sal sobre o peixe, para o cozinhar bem. Mas não se preocupem, pois ao ir ao forno, o peixe ficará sempre bem cozinhado e apetitoso.

Agora que já têm o peixe, completamente envolvido em sal, coloquem a travessa no centro do forno e deixem-no a cozinhar a 250º, durante 20 minutos.  

Depois deste tempo, desliguem o forno e deixem ficar o peixe mais 15 minutos, a cozinhar no calor remanescente.

Passado este tempo, retirem a travessa do forno e coloquem-na sobre uma bancada segura, pois vão iniciar uma operação cirúrgica delicada: tirar o peixe do sal. E sim, esta é a parte mais chata, mas divertida ao mesmo tempo. Preparem-se para a limpeza. O sal voa por todo o lado...


A forma mais fácil é esta: escolham uma faca normal e batam ligeiramente no sal. Este parte-se e sai às lascas. Vão retirando o excesso de sal, aos poucos até tirar toda a cobertura de sal do peixe.

De seguida, com cuidado, só têm que "levantar " o peixe com uma espátula larga, para não o partir e colocá-lo sobre uma travessa limpa e deliciarem-se...




Patê de Linguiça em Pão Casqueiro

1 pão Alentejano ou de Mafra
1 embalagem de linguiça picante
Maionese q.b. para envolver
1/2 molho de coentros
3 alhos
1/2 embalagem de mozzarela
Pimenta q.b.

Comecem por retirar a "cabeça" do pão, isto é, cortem o topo do casqueiro de forma a que fiquem com uma tampa. De seguida, com cuidado, retirem o miolo em quadrados de dentro do pão (o miolo em quadrados serve para acompanhar o patê).
Agora retirem a pele das linguiças, cortem-nas em pedaços e coloquem-nos na picadora. Juntem os alhos e os coentros e piquem até ficar tudo bem ligado.
Retirem o preparado para uma tigela, temperem com pimenta e vão colocando a maionese até obterem uma pasta tipo patê. Quando terminarem juntem a mozzarela, misturem bem e coloquem o preparado dentro do pão.
Coloquem o pão no forno pré aquecido a 200º durante 10 minutos. E está pronto a comer. Como vêem pela foto juntei umas folhas de alface para quem quiser ser mais light e acreditem quer com pão quer com alface fica delicioso.


Carpaccio de Laranja


80 g de açúcar
3 a 4 estrelas de anis
20 g de margarina liquida

3 a 4 laranjas
Carpaccio de Laranja
40 g. de mel
Pimenta preta q.b.
10 Folhas de hortelã


Deitem o açúcar numa frigideira, juntem as estrelas de anis e a margarina liquida. Levem ao lume brando até o açúcar ficar em ponto de caramelo claro.

Entretanto, lavem as laranjas e descasquem-nas bem retirando todos as partes brancas. Cortem em rodelas finas, coloquem-nas num prato fundo e aproveitem todo o sumo que largarem para juntar ao caramelo. Juntem o mel ao caramelo e deixem ferver sobre lume muito brando até se dissolver completamente. Se a calda estiver muito espessa, juntem o sumo de mais uma laranja. Deitem a calda sobre as laranjas e deixem arrefecer.

Na altura de servir, perfumem com um pouco de pimenta moída na altura e com folhas de hortelã picadas.

Meus caros, o texto já vai longo e eu já babo só de pensar que vocês vão deitar mão à massa e fazer uma destas delícias. Assim despeço-me com o meu mantra habitual deliciem-se...

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