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Letras com Aromas

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Letras com Aromas

Guilty pleasures...!

08:59 | Publish by Unknown

Hoje falei com uma amiga alentejana e falei-lhe destes textos que vos escrevo. Teve uma reacção muito engraçada. Segundo ela ando encegueirada. “Ando o quê, princesa?” perguntei eu espantada. ENCEGUEIRADA! Em vernáculo alentejano significa motivada, cheia de vontade. Adorei a expressão. E tem toda a razão. Estou mesmo cheia de motivação, cheia de vontade de estar sempre a teclar para vos contar novidades. Como diz o meu marido é a minha catarse. É como ir a um psiquiatra, mas com a vantagem que não se gasta dinheiro e não enchemos o organismo com químicos.
Ontem fiz gazeta à comida. Não apeteceu cozinhar. Também não pode ser todos os dias. Às vezes precisamos de pausas para descansar. Jantei, não pensem que fiquei sem comer. Não isso não pode acontecer com uma “miúda” que gosta de comer. Não se assustem quando vos disser o que foi o meu jantar: McDonald’s!
“Oh, mas isso não é comida de jeito” dirão vocês. Têm razão. Têm toda a razão, mas poder cometer os nossos guilty pleasures de vez em quando também sabe bem e conforta. Os hamburgers, sejam eles de que sitio forem costumam lembrar-nos, pelo menos a mim é o que acontece, a nossa juventude. Só comíamos isto em festas de aniversários ou quando já eramos mais crescidos e não estávamos com os nossos pais.
Como sempre apreciei muito este tipo de comida, um dia decidi fazê-los em casa. Nem muito grandes nem muito pequenos. Maneirinhos o suficiente para podermos dizer que são quase gourmet. São tão famosos cá em casa que decidi partilhar com a família e com os amigos. Foram aprovados! “Queremos a receita”. Acabei por não partilhá-la. Naquela altura era egoísta no que tocava às minhas receitas, às minhas experiências culinárias. Não me apetecia. Hoje tudo é diferente. Gosto de partilhar e é o que vou fazer convosco.
É uma receita fácil (como quase todas tenho partilhado). É barata, praticamente 6 euros na totalidade da elaboração. Hum! Não vos parece? Então apreciem.

Mini hamburgers à minha moda
Ingredientes
500 gr. de carne de vaca picada
500 gr. de carne de porco picada
½ chouriço picado
2 alhos picados
Coentros picados
1 colher de sopa de molho inglês
Pimenta q.b.
Na sua bancada estenda uma folha de papel vegetal, para que não fique tudo sujo e as consiga pousar num local em que a carne não agarre.
Coloque as carnes numa taça. Agora misture o punhado de coentros (até pode ser de salsa caso não gostem de coentros, mas sinceramente a carne vai saber melhor com os coentros), os alhos bem picados, o molho inglês e a pimenta.
Quando tiver tudo homogéneo comece a fazer pequenas bolas. Do tamanho de bolas de golf. Enquanto moldas as pequenas bolas no final espalme-as nas suas mãos, dando-lhes o formato de hamburgers. Deve fazer uma “fornada” de 12. E estão prontos!
Agora confeccione-os da forma que mais aprecia. Ou grelhados ou fritos. Digo-vos que fritos ficam soberbos.
Se quiserem fritar usem aquela margarina nova da Vaqueiro, a de alho.
Coloquem um pouco de azeite na frigideira, a margarina e vá fritando.
Como acompanhamento, pode fazer o que quiser. Por exemplo, se for fazê-los para uma festa de miúdos, compre os mini pães para hamburgers. Para uma festa de crescidos, acompanhe com puré de maçã, uma salada de rúcula e tomate cherry e para finalizar uma batatas fritas com orégãos.
Não me digam?! Abri-vos o apetite…! Era essa a intenção. É por isso que aqui estou.Ah! Já sei não vos deixei as receitas do puré de maçã nem das batatas fritas com orégãos… querem tudo de uma vez, é? Está bem. Eu partilho.

Puré de maçã
Ingredientes
6 maçãs reinetas
2 colheres de água
1 pau de canela

Descasque as maçãs, retire os caroços e parta-as aos bocados. Não se preocupe se começarem a ficar castanhas porque é dessa cor que vão ficar depois de cozidas.
Num tacho, coloque as maçãs juntamente com o pau de canela e a água. Leve ao lume no mínimo e deixe cozer. O tempo de cozedura varia com o tamanho da fruta. No entanto, vá verificando com a colher de pau se estão a desfazer. Se estiverem é porque estão prontas.
Pegue na varinha mágica e desfaça o restante.
Está pronto a servir, se o quiser quente. Se quiser frio deixe arrefecer à temperatura ambiente.

Está a começar a divertir-se? Também eu! Agora vamos às batatas fritas. Não é que vá dar muito trabalho, mas por favor: NÃO USE BATATAS CONGELADAS. Desculpem! Não queria gritar, mas para esta receita não uso atalhos. Um dia mostro-vos todos os atalhos que uso nas minhas refeições. Mas hoje não é esse dia.

Batatas fritas com orégãos
Ingredientes
5 batatas grandes próprias para fritar
Óleo q.b. para fritar
Orégãos secos q.b.
Sal q.b.

Coloque a fritadeira ao lume e encha-a com óleo até meio. Cuidado que o lume não pode estar muito alto, pois se assim for, quando colocarem as batatas o óleo vai saltar e queimar-vos.
Comece por descascar as batatas e parti-las em palitos (não se preocupe se não ficarem perfeitos, porque a comida não se quer apresentavelmente perfeita, quer-se saborosa e rica em texturas). Junte no óleo, com cuidado, uma mão cheia de batatas e deixe fritar. Assim que estiverem loirinhas, retire-as para uma travessa forrada com papel de cozinha para retirar o excesso de óleo, tempere com sal e com os orégãos. Vão repetindo o processo até acabar as batatas e sirva-as quentinhas e estaladiças.

Hoje divirtam-se a cozinhar para a família ou para os amigos, mas acima de tudo:deliciem-se!

Etiquetas: Prato principal 2 comentários

Branco ou tinto? Muito....

12:30 | Publish by Unknown

Algumas amigas pediram-me para descrever o quanto investimos em cada uma destas receitas. E digo investir, porque vejo a comida como um ganho, um investimento e não como um gasto. Assim, hoje vou tentar colocar no papel o valor aproximado para cada receita.
Para mim vai ser um pouco difícil, porque o dinheiro para mim tem pouco valor.
Não me entendam mal. Prefiro pagar uma quantia avultada por uma refeição que me tenha sabido pelo mundo, que pagar pouco e não sentir nada enquanto como. Também me podem dizer que em vários sítios do nosso maravilhoso país, podemos pagar pouco e comer muito, muito bem. É verdade! Muitas vezes não é porque pagamos mais, que comemos melhor. Tentava só explicar-vos o valor do dinheiro na minha humilde opinião.
Na primeira vez que vos escrevi, descrevi-vos uma refeição completa que se me pedissem 25 euros por pessoa não acharia caro. Mesmo tendo em conta o uso de vinho durante a entrada e o prato principal. Como sabem o vinho pode encarecer uma refeição. Mas depende que tipo de vinho preferem e onde o consomem. Ou seja, se o comprarem num hipermercado ou se o consumirem num restaurante. Já perceberam o que quero dizer, não já?
Tenho uma grande amiga, que para ela o vinho tinto acompanha com tudo. Não digo que seja a qualquer hora dia, mas se estivermos num evento, ao invés de beber um copo de Martini, uma flute de champanhe, até mesmo um sumo, pede sempre um copo de vinho tinto. Como ela costuma dizer: o treino que leva, já lhe dá tempo para se conseguir manter acordada e sóbria durante mais tempo do que qualquer uma das restantes do grupo. Não consigo competir com ela. Tento, mas não consigo. “Não vais aos treinos” diz ela a rir.
Como gosta muito de vinhos da região do Alentejo. A refeição em causa não ficaria muito mais cara que os 25 euros. Mas na minha opinião o vinho é sempre uma escolha muito pessoal. Eu, pessoalmente prefiro o vinho alentejano, embora alguns da região do Dão também sejam muito agradáveis e em conta. O branco acompanha muito bem entradas, peixe leves, isto é, com pouca gordura, saladas e quiches.
Dizem os entendidos e quem o aprecia bastante que um vinho branco deve ser servido bastante fresco, para que dele se retire toda a harmonia que se pode. No entanto, e se calhar vou estar a dizer uma coisa muito errada, mas um dia peguei numa garrafa de vinho “Quinta do Cardo” branco que não estava gelado, muito menos fresco, estava à temperatura ambiente e provei-o… E querem saber um segredo? Soube-me pelo mundo. Não sei se foi a sensação de o experimentar quase às escondidas ou se foi o sabor natural que provinha do vinho. Mas estava fantástico. Uma delícia.
Quando leio os rótulos dos vinhos geral fico com uma sensação desconfortável… O que é isso de “com notas de uvas brancas”, “com laivos de chocolate”? Acho que não tenho o paladar apurado para apreciar certas notas e laivos no vinho. Como costumo dizer “talvez um dia…”!
Já agora… Não se esqueçam: deliciem-se…

Etiquetas: Fait divers 3 comentários

Sentimentos velados...

10:13 | Publish by Unknown

Quem me conhece sabe que não gosto de me gabar e receber elogios também não é o meu forte, mas com a comida aprecio-os imenso. Sabe bem encher a barriga de alguém que no fim, com um sorriso, nos mostra o quanto gostou. Estes obrigados velados, quase em segredo, tornam-nos vaidosos e orgulhosos. Com um sentimento de conquista alcançado e conseguido.
A grande maioria das vezes, para quem não gosta ou não sabe cozinhar, este sentimento não brota facilmente, mas ao darem um pouco de si mesmos enquanto preparam uma qualquer receita, o sorriso vai aparecendo. Primeiro de soslaio e com o passar do tempo, com o ganhar de confiança ele já aparece facilmente.
Mas sabem o que me dá mais gozo? É quando o meu filho, que é o verdadeiro esquisito no que toca a comida, me diz “mãe, está delicioso”! A alegria que ele me dá ao dizer estas três palavras é imensa. Difícil de entender? Não. Eu conto-vos… O meu filho se pudesse passar toda a sua vida a pacotes de leite com chocolate e bolachas era o miúdo mais feliz do mundo. Sempre foi assim. Comer para ele era e às vezes ainda é difícil. Quando era bebé e iniciou as sopas demorava quase uma hora para as comer. Decidimos introduzir a fruta ao mesmo tempo para ver se melhorava. Uma colher de sopa, uma colher de fruta… acreditem ainda hoje, junta a fruta ao jantar e ao almoço para se conseguir despachar. Dir-me-ão vocês “mas comer é uma tarefa para ser feita com calma e devagar”! Têm razão. Mas duas horas para jantar? Tinha de o estimular com a comida.
Nunca fui muito de regras. Nunca fui muito de seguir aquilo que todos fazem. Por isso, as sopas do meu filho até aipo levavam. Deve ter sido isso que ajudou a que agora, com estas invenções, ele tenha uma maior disposição para comidas inventadas e não tanto as comidas tradicionais. Não que as receitas que invento fujam muito do tradicional, mas as experiências que faço com as ervas aromáticas têm sido um verdadeiro sucesso.
Hoje em dia ando completamente viciada com o funcho e com a salva. Porquê? É fácil. Dão um gosto muito diferente à carne, ao peixe, às batatas e restantes vegetais.
Um dia vi uma receita de um chef, pelo qual tenho uma admiração enorme, de batatas assadas com salva. Que delicia! Tive de a fazer assim que pude. A dele era demorada, levava banha de porco e regada de azeite, mas eu dei-lhe cor. Dei-lhe o meu toque e menos calorias! (Já agora lembrem-se de uma coisa. Façam as receitas que melhor se adaptam às vossas dietas. Não as de emagrecer, mas ao vosso estilo de vida. Para quem trabalhou durante quinze anos na saúde, não vos quero trazer aqui nada que vos prejudique).
Batatas assadas com salva
Ingredientes
500 gr. de batas pequenas (o pingo doce vende já embaladas no local dos vegetais frescos)
10 folhas de salva
10 ml. azeite
Margarina liquida q.b.
Sal e pimenta q.b.
Passe as batatas por água e coloque-as num pirex, onde já está o azeite. Tempere-as com sal e pimenta e junte-lhes as folhas de salva. Regue com uns fios da margarina liquida e leve-as ao forno previamente aquecido a 180º. Deixe cozinhar durante 30 minutos. Não esquecendo, de vez em quando de as sacudir ou virá-las.
No final deste tempo, levante a temperatura do forno para 200º e deixe as batatas ganhar cor.
Retire-as e sirva de acompanhamento ao que mais lhe apetecer.

Como podem ver são saudáveis e são um excelente acompanhamento a peixe ou a carne. Já percebi! A sua imaginação está a começar a borbulhar… já começou a perceber as possibilidades que aqui tem. Agarre-se a elas e não desespere.
Faça desta nova motivação o seu estilo de vida. Para tudo o que fizer a partir de hoje. E lembre-se “o que não nos mata, dá-nos força”. A nova atitude que vai sentir a partir de hoje vai-lhe dar força para enfrentar o mundo, para enfrentar as agruras da vida, as desilusões por que passamos diariamente. O tempo cura e a comida, acima de tudo: ajuda.
Não lhe chame frases feitas. São sentimentos sentidos por quem passou pelo mesmo que nós. E que superaram. Venceram. Vivam a vida: “um dia de cada vez. Hoje estamos cá, amanhã quem sabe. Por isso aproveitem cada dia como se fosse o vosso último e acima de tudo: deliciem-se.

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A minha jeropiga

12:13 | Publish by Unknown

Há pouco falei-vos do meu famoso piano com jeropiga e arroz de feijão manteiga, que por sinal é delicioso. Quando o fiz pela primeira vez estava inspirada e com vontade de fazer algo que a minha avó também fazia: arroz caldoso com feijão. Garanto-vos que o nervoso miudinho se apoderou de mim e a coisa não ia correndo bem. O arroz não ficou como o da minha avó, mas saiu-se muito bem. Querem experimentar?
Então cá vai…

Piano com jeropiga e arroz de feijão manteiga
Ingredientes para o Piano
6 tiras de piano
4 alhos
50 ml de azeite
2 colheres de sopa de pimentão-doce
20 ml de jeropiga
Sal q.b.
Pimenta q.b.
Comece por passar as tiras de piano por água e reserve. Num almofariz junto os alhos, a pimenta, o sal, o azeite e o pimentão-doce. Moa muito bem até obter uma massa homogénea. (Não precisa de picar os alhos, pois ao moê-los juntamente com o sal, eles vão-se desfazendo)
Aqueça o forno a 200º.
Agora prepare-se para um pouco de ginástica. Espalhe a massa por todas as tiras de forma a ficarem bem untadas. E já agora, não use um pincel. Use as suas mãos. Sinta a textura dos ingredientes junto da sua pele. E garanto-lhe uma hidratação quase perfeita das suas mãos devido ao azeite.
Agarre no tabuleiro do forno e forre-o com papel de alumínio para que não suje muito. Não deixe folgas no alumínio para que não rebente durante o processo. Coloque só um pouco de azeite no fundo do tabuleiro para que a carne não agarre. Disponha a carne de forma a não ficar nenhum pedaço sobre outro. Leve ao forno durante uma hora e meia a duas horas. Depende se gosta da carne a sair do osso ou mais agarrada. Pessoalmenteprefiro a sair do osso. Não se esqueça ao fim de cada 30 minutos de virar a carne para que todas as tiras fiquem bem assadas.
Ao fim de uma hora no forno agarre na jeropiga e regue todas as tiras. Há-de ficar com bastante líquido no fundo do tabuleiro que se irá transformar em melaço no final do tempo.
Enquanto isto vamos começar a preparar o arroz… Nunca o comece a preparar ao mesmo tempo da carne. A não ser que precise de argamassa para as paredes. A meia hora do final do assado dê andamento ao arroz de feijão.
Ingredientes para o arroz de feijão
Duas chávenas de arroz
Quatro chávenas de água
1 Lata pequena de feijão manteiga
1 Embalagem de bacon aos cubos (pequena)
1 Colher de sopa de molho inglês q.b.
1 Caldo Knorr de galinha
Pimenta q.b.
Coentros picados (só para enfeitar)


No tacho onde vai fazer o arroz, deite o azeite e deixe aquecer e junte o bacon e o caldo Knorr. Quando mudar da sua cor natural para uma cor mais dourada, deite o molho inglês, junte o arroz e mexa até que fique translucido. De seguida, junte a água devagar, uma caneca de cada vez, para que não salpique e não se queime. Baixe o lume para mínimo e deixe cozinhar devagar. Tente que a água não desapareça por completo. Se for preciso ao longo da cozedura junto um pouco, mas é mesmo um pouco de água.
Assim que o arroz estiver pronto, coloque os coentros por cima e sirva-o juntamente com o piano.
E agora coma, lamba os dedos mas acima de tudo delicie-se!


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Uma Marquesa com sentimentos aromáticos e cheia de letras para partilhar...

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